quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Body Art e Híper-realismo

Body Art: está associada à arte conceitual e ao minimalismo. É uma manifestação das artes visuais onde
o corpo do artista é utilizado como suporte ou meio de expressão. O espectador pode atuar não apenas de forma passiva mas também como voyeur ou agente
interativo. Como criações conceituais,as obras são um convite à reflexão. Foi na década de 1960 que essa forma de arte se popularizou e se espalhou pelo mundo.Há casos em que a body art assume o papel de ritual ou apresentação pública, apresentando portanto, ligações com o Happening(que é uma forma de expressão das artes visuais que, de certa maneira, apresenta características das artes cênicas, quase sempre planejada, incorpora-se algum elemento de espontaniedade ou improvisação, que nunca se repete da mesma maneira a cada nova apresentação) e com a Performance (manifestação artística interdisciplinar que - assim como o happening - pode combinar teatro, música, poesia ou vídeo. Difere do happening por ser mais cuidadosamente elaborada e não envolver necessariamente a participação dos espectadores.Em geral, segue um "roteiro" previamente definido, podendo ser reproduzida em outros momentos ou locais. É realizada para uma platéia quase sempre restrita ou mesmo ausente e, assim, depende de registros - através de fotografias, vídeos e/ou memoriais descritivos - para se tornar conhecida do público).Outras vezes, sua comunicação com o público se dá através de documentação, por meio de videos ou fotografia. Podemos citar como importante artista brasileiro do body art Mário Mariotti (1936-1997) que experimentou diversas formas de expressão artística antes de descobrir as potencialidades plásticas das mãos. Os recursos utilizados eram quase mínimos e, não obstante, a imaginação de Mariotti era imensa e desconcertante. Com tintas, alguns adereços simples, como fios, palitos e botões, e as suas próprias mãos criou todo o tipo de figuras humanas e animais, simples, elegantes e expressivas.

Híper-realismo: também conhecido como realismo fotográfico ou fotorealismo é um estilo de pintura e escultura, que procura mostrar uma abrangência muito grande de detalhes, tornando a obra mais detalhada do que uma fotografia ou do que a própria realidade e por apresentarem uma exatidão de detalhes bastante impessoal, geram um efeito de irrealidade, formando o paradoxo: "É tão perfeito que não pode ser real". O foto-realismo não poderia existir sem a fotografia,pois se a mesma e a pintura não se confundem, a imagem fotográfica é um recurso permanente dos "novos realistas", sendo utilizada de diversas maneiras.É usada, antes de tudo, como meio para obter as informações do mundo, pinta-se a partir delas. O pintor trabalha tendo como primeiro registro os movimentos congelados pela câmera, num instante preciso. Se o modelo vivo - pessoa ou cena - sofre permanentemente as interferências do ambiente e está, portanto, sempre em movimento, a imagem registrada pela máquina encontra-se cristalizada, imune a qualquer efeito externo imediato, o que dá a ela um tom de irrealidade. No Brasil, essas preocupações tomam direções muito variadas após a década de 1960. São freqüentemente associados ao hiper-realismo alguns trabalhos de Glauco Rodrigues, por exemplo, A Juventude e de Antonio Henrique Amaral. Nas cenas urbanas de Gregório Gruber é possível identificar ecos do foto-realismo.










Escultura


Os anos 50 foram marcados pela acelerada expansão do abstracionismo, tanto de linhas geométricas como informais. O Concretismo, um estilo de abstração geométrica, se torna a moda do momento, sendo louvado por críticos e artistas e dominando os salões e galerias. Paralelamente assistiu-se ao desenvolvimento de uma abstração informal, de tendência lírica ou onírica, e logo se notou também um grupo de artistas que, não desejando abandonar de todo a figuração, passaram a incorporar estilizações abstratizantes a uma estrutura ainda figurativa, seguindo o exemplo de mestres internacionais como Picasso, Henry Moore e Alberto Giacometti. Em termos de arte pública a construção de Brasília na década de 50, um ambicioso projeto arquitetônico, urbanístico e artístico, centralizou as atenções nacionais e abriu um mercado para a produção de uma escultura monumental, sendo o coroamento de uma onda de renovação arquitetônica em larga escala que vinha acontecendo desde o Estado Novo e se disseminou pelos grandes centros urbanos do país. Nos anos 60, acompanhando o surgimento da dita Nova Figuração na pintura, frutificou entre os escultores uma tendência irônica derivada da arte Pop norteamericana, e outra que resgatava aspectos do expressionismo, refletindo o clima tenso criado pelo regime militar imposto em 1964. Entre estes anos e a década de 80 o Brasil viu ainda aparecerem obras conceituais, minimalistas, poveras, land art, instalações, móbiles e obras que recuperavam elementos da arte popular. Tantas tendências operando num mesmo momento acabaram por se entrecruzar, formando uma variedade inextrincável de subtipos e gêneros mistos de arte que em maior ou menor grau fundiam, transformavam e aplicavam princípios, técnicas, materiais e recursos conceituais da escultura. Todas estas linhas de trabalho ainda estão presentes na escultura brasileira mais recente. Ao contrário de se esgotarem ou envelhecerem, sua fertilização mútua tem propiciado o aparecimento de soluções sempre novas que se adaptam à evolução da arte e da sociedade, e muitos artistas experimentaram mais de uma delas ao longo de sua trajetória, tornando impossível uma categorização excludente. Contudo pode-se citar alguns nomes que se destacaram em especial em uma ou outra forma de expressão. Assim, na abstração geométrica, alinhados a princípios concretistas, neoconcretistas e minimalistas, foram ou são de importância Bruno Giorgi (que também na figuração deixou trabalhos notáveis), Ascânio MMM, Franz Weissmann, Amílcar de Castro, Lígia Clark, Emanoel Araújo, Haroldo Barroso, Yutaka Toyota, Sérgio de Camargo, Sérvulo Esmeraldo e Geraldo Jürgensen. Nitidamente conceituais são Willys de Castro e Waltércio Caldas, e a obra mista de escultura e pintura de Pedro Escosteguy, um dos pioneiros do conceitualismo politicamente engajado no Brasil. Na abstração de linha informal estão Frans Krajcberg, Caciporé Torres, Megumi Yuasa, Carlos Fajardo, Mário Cravo, Hsiao Hoara, Iole de Freitas e Akinori Nakatani. Produziram obras influenciadas pela arte Pop Gustavo Nakle, Maria Helena Chartuni e Rubens Gerchman, a figuração tinta de expressionismo foi cultivada por Francisco Stockinger, Carybé e Domenico Calabrone, e representando o realismo mágico ou o surrealismo estão Francisco Brennand e Fredy Keller.

Arquitetura


O Modernismo arquitetônico surgiu na Europa devido à necessidade de se encontrar soluções para os problemas que vinham sendo gerados pelas mudanças sociais e econômicas que a Revolução Industrial causou. Já no Brasil, as primeiras obras Modernistas surgem quando apenas se iniciava o processo de industrialização, portanto não se habilitava a solucionar necessidades sociais. No entanto, segundo Lúcio Costa, o Modernismo brasileiro justifica-se como estilo, afirmando a identidade de nossa cultura e representando o "espírito da época". No campo da arquitetura, o Modernismo foi introduzido no Brasil através da atuação e influência de arquitetos estrangeiros adeptos do movimento, embora tenham sido arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, que mais tarde tornaram este estilo conhecido e aceito. Foi o arquiteto russo Gregori Warchavchik quem projetou a “Casa Modernista” (1929-1930), a primeira casa em estilo Moderno construída em São Paulo. Os arquitetos Modernistas buscavam o racionalismo e funcionalismo em seus projetos, sendo que as obras deste estilo apresentavam como características comuns formas geométricas definidas, sem ornamentos, separação entre estrutura e vedação, uso de pilotis a fim de liberar o espaço sob o edifício, panos de vidro contínuos nas fachadas ao invés de janelas tradicionais, integração da arquitetura com o entorno pelo paisagismo, e com as outras artes plásticas através do emprego de painéis de azulejo decorados, murais e esculturas. Quando iniciou-se no Brasil a difusão dos princípios Modernos, arquitetos recém formados passaram a estudar obras de arquitetos estrangeiros, como os alemães Mies Van der Rohe e Walter Gropius, adeptos da arquitetura racionalista. No entanto, foi o franco-suíço Le Corbusier quem mais influência teve na formação do pensamento Modernista entre os arquitetos brasileiros. Suas idéias inovadoras influenciaram diretamente o Movimento Moderno no Brasil, sendo fonte inspiradora para Lúcio Costa, Niemeyer e outros pioneiros da arquitetura Moderna brasileira. Le Corbusier veio ao Brasil algumas vezes, inclusive para orientar a equipe de arquitetos que, em 1936, projetou o edifício da nova sede do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro. Em suas vindas ao Brasil realizou conferências e difundiu seus ideais, reforçando ainda mais sua influência entre os jovens arquitetos da época. Aos poucos a Arquitetura Moderna Brasileira foi ganhando destaque no cenário mundial passando a ser utilizada para divulgação da boa imagem brasileira junto com o café e o futebol. Apesar dos primeiros exemplares da Arquitetura Moderna no Brasil serem de autoria de arquitetos estrangeiros, é a Oscar Niemeyer que se atribui a "popularização" deste estilo. Após a eclosão do Movimento Moderno, este subdivide-se em várias tendências estilísticas. No Rio de Janeiro a fusão dos princípios Modernistas europeus com a herança nativa resulta em uma arquitetura de formas mais livres. É nesse aspecto que evidencia-se a originalidade de Oscar Niemeyer. Abandonando o funcionalismo exagerado dos ideais Modernos, Oscar Niemeyer utiliza em suas obras formas curvas mais livres, que buscam a beleza, não sendo o resultado final da obra somente conseqüência de sua função. A história da arquitetura dá evidências de que até hoje só houve dois sistemas formais completos: o classicismo e o modernismo. A diferença básica entre o classicismo e o modernismo é a substituição da imitação pela construção formal como critério de formação de objetos arquitetônicos. A adoção de modelos dá lugar à interpretação do programa como principal elemento estimulador da forma e âmbito de possibilidades na ordenação do espaço habitável. A partir desta caracterização genérica da arquitetura moderna, a vertente brasileira pode ser vista como particularização de um modo de conceber a forma artística essencialmente diferente do classicismo, que havia dominado os quatro séculos precedentes e ainda era o paradigma dominante nas primeiras décadas do século XX. O projeto moderno é como uma atividade totalizadora que sintetiza na forma os requisitos do programa, as sugestões do lugar e a disciplina da construção. A esses critérios de construção formal, a arquitetura moderna brasileira acrescentou valores da arquitetura tradicional abstraídos, o que lhe permitiu ser parte da produção cultural contemporânea, sem ter que abrir mão de suas raízes históricas. A presença de valores históricos na arquitetura moderna brasileira se baseava na utilização da substância dos precedentes históricos, ao invés da sua aparência, em um aproveitamento muito mais tipológico do que mimético da sua tradição. O entendimento de que a possibilidade de resolver formalmente um programa de modo original não implica a obrigatoriedade de fazê-lo,é demonstração da maturidade alcançada por nossa arquitetura em muito pouco tempo. Os projetos davam forma aos programas sem serem determinados por eles, de modo bastante diferente da relação de causa e efeito por tantas vezes atribuída a um certo funcionalismo moderno.Longe de qualquer insensibilidade em relação ao entorno, o sítio era entendido como formalidade latente, e o projeto estabelecia estruturas relacionais em que o edifício era sempre concebido como parte de um todo maior. A própria variedade das soluções encontradas para adaptar a arquitetura moderna ao clima tropical é evidência da importância atribuída ao lugar na prática arquitetônica pré-Brasília. Por último, verificaremos uma saudável relação entre forma e técnica, na qual a definição da estrutura formal e do caráter de cada edificação explorava a disciplina imposta pela construção. Entre os arquitetos de destaque no Movimento Moderno brasileiro estão Lúcio Costa, cuja obra e contribuição teórica são de grande importância, Affonso Eduardo Reidy, Attilio Correa Lima, os irmãos Marcelo e Milton Roberto e entre outros artistas reconhecidos podemos dar maior enfoque para Oscar Niemeyer.
Oscar Niemeyer arquiteto brasileiro considerado um dos nomes mais influentes na Arquitetura Modernista internacional foi um pioneiro na exploração das possibilidades construtivas únicas do concreto armado, uma técnica de estrutura que diferencia-se do concreto devido ao fato de receber uma armadura metálica responsável por resistir aos esforços de tração. Apesar de ser um defensor do utilitarismo, suas obras não tinham a aparência fria ou forma blocada tão criticada por pós-modernistas. Seus prédios têm formas tão dinâmicas e curvas tão sensuais que fazem com que se diga que Niemeyer seja mais um escultor monumental que um arquiteto. No Brasil, projeta em São Paulo o Conjunto do Ibirapuera (um parque com pavilhões de exposições em homenagem ao aniversário de 400 anos da cidade) e o COPAN, em 1951 e no ano seguinte constrói sua própria casa no Rio de Janeiro. Esta, chamada a Casa das Canoas, nome da estrada em que se encontra, tornar-se-á muitos anos mais tarde parte da Fundação Oscar Niemeyer.Em 1956, Juscelino Kubitschek volta a entrar em contato com Niemeyer. Desta vez tem um projeto político mais ambicioso, e o chama para a direção da Novacap, empresa urbanizadora da nova capital, um projeto para mover a capital nacional para uma região despovoada do centro do país.Niemeyer abre um concurso para o projeto urbanístico de Brasília, a nova capital e o vencedor é o projeto de seu antigo patrão e grande amigo, Lucio Costa. Niemeyer ficaria com os projetos dos prédios e Lucio Costa com o plano da cidade.Em poucos meses, Niemeyer projeta dezenas de edifícios residenciais, comerciais e administrativos. Entre eles a residência do Presidente (Palácio da Alvorada), o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), a Catedral de Brasília, os prédios dos ministérios, a sede do governo (Palácio do Planalto) além de prédios residencias e comerciais. A própria forma da cidade, em forma de avião, dá elementos que se repetem em todos os prédios, dando-lhes uma unidade formal. A Catedral de Brasília é especialmente bela, com diversos simbolismos modernos. A sua entrada se dá pelo subsolo, um corredor mal-iluminado que contrasta com um saguão com iluminação natural forte que deixa transparecer o céu único de Brasília. Por trás da construção de Brasília, uma campanha monumental para construir uma cidade inteira a partir do nada, no centro árido do país, estava a intenção de Kubitschek de alavancar a indústria do país, integrar suas áreas distantes, povoar regiões inóspitas e trazer progresso onde havia somente vaqueiros. Niemeyer e Lucio Costa aproveitaram para pôr em prática os seus conceitos modernistas de cidade: ruas sem trânsito (Niemeyer diria que é um desrespeito ao ser humano que ele tome mais de 20 minutos no transporte de uma região a outra), prédios flutuando sobre o solo, apoiados em colunas e permitindo o espaço em baixo livre, integração com a natureza. Uma ideologia socialista também se ensaiou: em Brasília todos os apartamentos deveriam ser do governo que os cedia para seus funcionários, não havia regiões mais nobres, ministros e operários dividiriam o mesmo prédio. Brasília deveria ser uma cidade contida em si, não se expandir além dos projetos originais, previa-se que assim que ficasse cheia, outras em moldes parecidos seriam construídas em diversas regiões.
A partir da inauguração de Brasília percebe-se a decadência gradual dos valores que possibilitaram uma arquitetura de tal qualidade que foi aclamada no exterior, ombreando-se com o que de melhor foi realizado em todo o mundo naquela época.Assim pode ser evidenciada a perda de qualidade e direção da prática arquitetônica posterior à década de 1960, situação na qual ainda estamos imersos devido a diversos fatores internos e externos que decorreram, porém o principal fator que determinou o abandono da arquitetura moderna no Brasil, e que inclusive permitiu a penetração tão fácil de valores culturais prejudiciais, foi o desconhecimento do que significava essa arquitetura e quais eram seus verdadeiros valores, por parte das gerações que sucederam aquela, tão bem sucedida.

Música - Bossa Nova

Os anos que se seguiram entre as décadas de 1950 e 1960 caracterizaram-se por uma interminável pluralidade musical onde tiveram destaque tanto pelo sucesso quanto pelo contexto histórico a que pertenciam a Bossa Nova, o Tropicalismo e a Jovem Guarda.

A Bossa Nova


A década de 50 foi marcada pelo aparecimento de uma geração de músicos e poetas que mudou definitivamente o estilo de nossa música popular: a Bossa Nova, que foi atacada pelos críticos mais ortodoxos como mera influência do jazz em nossa música. Nada mais retrógrado e fora da realidade, porque, se alguma influência houve, ela se deu no sentido contrário, com os maiores músicos americanos prestando homenagens sem conta à Bossa Nova. É só lembrar as gravações de Frank Sinatra com Antonio Carlos Jobim, as do saxofonista Stan Getz, as de Ella Fitzgerald, assim como as de Sarah Vaughan. Como sempre, o “novo” causa embaraço e temor ao “estabelecido”, e a Bossa Nova chegou para sepultar um jeito excessivamente romântico e europeizado que cobria de mofo parte da riqueza de nossa música. A Bossa Nova surgiu em uma circunstância muito especial da história do Brasil, que redemocratizado após o fim da Segunda Guerra Mundial, começava a se encontrar com seu destino. Há quem considere decisivo o surgimento de um baiano chamado João Gilberto, que com seu jeito “diferente” de cantar e tocar violão subverteu a máxima que garantia que “bom cantor, tinha que ter vozeirão”. João chegou de mansinho com um repertório que incluía músicas novas e releituras de antigos sucessos da MPB. E o seu primeiro disco, “Chega de Saudade”, gravado e lançado em 1959, tornou-se a primeira pilastra do monumento nacional chamado de Bossa Nova. Na verdade, a Bossa Nova não chegou para relegar ao passado a nossa memória musical. Muito ao contrário, revigorou o samba urbano, trazendo um acento diferente que encantou o mundo. Pode-se dizer que, apesar de o Papa da Bossa Nova ser baiano, ela surgiu na Zona Sul do Rio de Janeiro, num perímetro que ia de Copacabana a Ipanema. É que ali vivia uma geração de jovens extremamente talentosos: Tom Jobim, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Nara Leão, Vinicius de Moraes, Ronaldo Boscoli e muitos outros. Reunidos em apartamentos em Copacabana como dos pais de Nara, ou do poeta e compositor Osvaldo Santiago (parceiro de Braguinha), eles iam trocando figurinhas, namoros, harmonias, melodias, letras de música.Jobim, o mais profissionalizado de todos, já que vivia de tocar na noite e dos arranjos que começava a escrever, viria a se tornar um ícone da Música Popular Brasileira, seja nas suas parcerias com Newton Mendonça ou com Vinícius de Moraes. Se bem que uma de suas canções mais conhecidas (ao lado de “Garota de Ipanema”, feita em parceria com Vinícius), e que é considerada a música brasileira de maior número de gravações e execuções em todo o mundo, foi feita sem parceiros: a maravilhosa “Águas de Março”, que em dueto com Elis Regina, até hoje certamente ainda encanta desde o mais simples ouvinte até os anjos no Paraíso. O que havia de realmente diferente naquela nova música que surgia era o fato de que seus autores não vinham dos morros, como os sambistas tradicionais, ou das camadas mais desfavorecidos do tecido social brasileiro. Quase todos nasceram em ambientes de classe média ou alta, o que lhes proporcionou uma educação mais ampla. Puderam estudar música de forma sistemática, e em suas vitrolas rodavam, além dos discos de música brasileira, os grandes compositores americanos como George Gershwin, Richard Rodgers e Cole Porter, tendo sido influenciados por eles no que se refere ao apuro técnico, aos arranjos e à qualidade das gravações. Este “berço dourado” foi o responsável por muitos dos ataques desferidos à Bossa Nova por aqueles estudiosos e críticos mais severos. Para eles, só a música vinda do “povo” poderia ser rotulada de “verdadeiramente brasileira”. Se estes acertavam no alvo ao apontar o samba, o choro, o baião e alguns outros ritmos como os verdadeiros produtos de nossa cultura, erravam feio ao discriminar a Bossa Nova por não ter ela nascido em favelas, mocambos ou mangues. Havia algo de errado no reino da sociologia da música, e o tempo se encarregaria de mostrar quem estava com a razão. É preciso destacar também o estupendo avanço na tecnologia de gravação – microfones mais sensíveis, a construção de estúdios de primeira qualidade, a passagem do HI-FI (alta fidelidade) para o sistema estéreo, o surgimento do LP, aposentando definitivamente as pesadas “bolachas” de 78 rotações por minuto. Não era mais preciso ter voz de tenor (como Francisco Alves) para tocar o coração do público. Bem é verdade que alguns poucos artistas, como Mário Reis e Dick Farney já haviam mostrado o caminho da suavidade, mas eram ambos figuras isoladas em um cenário onde o “dó de peito” dominava. Aliás, a revolução da Bossa Nova foi também determinante na transformação das cantoras brasileiras. Antes, elas se dividiam em “carnavalescas” (Carmem Miranda, Linda e Dircinha Batista) e trágicas (Elizeth Cardoso, Maysa e até Claudete Soares, que mais tarde se “Bossanovizou” como diziam na época). A partir daí, a interpretação passou a marcar presença de modo muito mais suave. Exemplo claro é o de Nara Leão, que de tanto ouvir música em casa acabou por se tornar a musa da Bossa Nova. Com seu fio de voz Nara conquistou uma legião de admiradores dentro e fora do círculo musical, tornando-se uma típica cantora da Bossa Nova e marcando, definitivamente, o seu lugar na história de nossa música popular. É só ouvir com atenção as faixas com Nara (“Esse seu Olhar”, “Outra Vez”, “Wave”, “Samba de Uma Nota Só”). É bom destacar que esta última faixa é bem um retrato da arquitetura musical da Bossa Nova - uma linha melódica muito simples, quase de “uma nota só” mesmo, que balança marota sobre uma harmonia com poucos, mas bem escolhidos acordes.Duas artistas que também deram sua contribuição foram Sylvia e Cláudia Telles, com “Discussão” e “Ilusão à Toa”. Outro fio de voz que também podemos citar é o de Astrud Gilberto, que foi casada com João Gilberto e mais tarde com o saxofonista americano Stan Getz. Astrud foi uma das responsáveis pela difusão da Bossa Nova nos Estados Unidos, e pode ser ouvida nesta viagem sonora em “Só Tinha que Ser com Você”.Elis Regina também não resistiu aos encantos da Bossa Nova, tendo gravado muitas faixas solo ou com Tom Jobim. Se havia alguma dúvida quanto ao “pedigree” da Bossa Nova, já que as suas musas não eram verdadeiras “divas vocais”, elas se dissiparam a partir do momento em que Elis gravou Tom, Carlos Lyra e muitos outros. Também foi a Bossa Nova a responsável pelo incremento dos grupos vocais em nossa música. Não é que não existissem antes, como atesta a presença marcante dos paulistas Demônios da Garoa, muito vinculados à obra do grande Adoniran Barbosa, ou os Namorados (mais tarde “Garotos”) da Lua. Mas é que as vozes passaram a ser tratadas como instrumentos, com harmonias mais complexas em vez de uníssonos ou no máximo acordes em terças (maiores ou menores). Com o estudo da harmonia se tornando comum entre os jovens músicos, certamente a tessitura vocal só teria a ganhar. Data do começo dos anos 60 o surgimento de dois grupos que até hoje se mantém fiéis à sua origem: os rapazes do MPB-4 e as meninas do Quarteto em Cy. Acompanhando cantores e compositores em festivais ou em shows solo, estes dois grupos marcaram presença ao longo de décadas de boa música, irreverência e resistência cultural quando as nuvens pesadas da censura escureceram os horizontes culturais brasileiros, a partir de 1968. O Quarteto em Cy gravou “Soneto do Amor Total”, “Imagem”, “Canto de Ossanha” e “Chega de Saudade”, dentre outras com versos de Vinicius de Moraes, um “mulherólogo” diplomado, que ao longo de seus diversos casamentos tratou de criar “receitas para o amor eterno”. Enquanto este durasse, é claro. Então, nada melhor do que quatro mulheres para interpretá-las! É bom que se citem Os Cariocas, um verdadeiro combinado de vozes e instrumentos, em eternas disputas com o mítico Tamba Trio. Já o MPB-4 sempre foi combativo na escolha de seu repertório e na temática de seus shows. Certamente os quatro rapazes também cantaram as dores e alegrias do amor, mas estavam sempre conectados com a realidade social do país, como estavam, aliás, muitos dos jovens daquela época.Outro grande nome de nossa música: Edu Lobo, filho do jornalista e compositor Fernando Lobo (autor do livro “Na Mesa do Vilarinho”, fundamental para quem quer saber mais sobre a nossa música, além de sucessos como “Nega Maluca”), não é o que se pode chamar de “Bossanovista”, por natureza, mas era - e é – certamente, um passo adiante na evolução de nossa arte maior. Sua matéria-prima básica era a música que ouviu na Recife de seus pais, mas com um novo sentimento. Aos vinte e poucos anos, já era considerado um gênio por canções como “Arrastão”, ganhando festivais sem conta e emocionando as platéias com seu jeito tímido e rosto de bom moço. Por trás daquela imagem, um músico talentosíssimo, exigente e rigoroso em seu trabalho, que até hoje reluz na música brasileira. Assim como os cantores e os compositores, também os músicos brasileiros absorveram com ardor as lições da Bossa Nova. Grandes instrumentistas sedimentaram sua carreira e criaram uma escola bem brasileira de tocar e arranjar. Durante o período dos grandes programas de música ao vivo na TV Brasileira, a “batalha” entre os grupos instrumentais a cada dia se sofisticava mais. E tanto o Rio de Janeiro quanto São Paulo abrigaram verdadeiros “templos” de música. Tamba Trio, Jongo Trio, Bossa Três, Copa cinco, o grupo de Sérgio Mendes, todos verdadeiros escretes a serviço da música.Também aí se vê outra dramática mudança provocada pela Bossa nova. Em décadas anteriores, os solistas eram as figuras de frente das formações: Waldir Azevedo, Pixinguinha, Jacob do bandolim e muitos outros. Mas a nova música destacava a seção rítmica dos grupos, geralmente formado por piano, bateria e baixo. Esta foi a verdadeira base da Bossa Nova em disco e shows ao vivo, e o nome de Luiz Eça, do Tamba Trio, é um dos que brilham mais forte. Eça fez arranjos para um sem-número de shows e discos, além dos próprios. Sérgio Mendes é um dos mais bem-sucedidos músicos brasileiros no exterior. Seus discos sempre estiveram nas paradas de sucesso e ele deve muito à Bossa Nova e ela à ele. Com o Bossa Rio, o Brasil 66 e outras formações, Sérgio foi um dos artistas que solidificaram este jeito brasileiro de fazer música.Não há dúvidas de que os fabricantes de violão foram muito beneficiados pela Bossa Nova. Mais prático que o pesado acordeão e mais simples de tocar que o vetusto piano, rapidamente o violão perdeu a aura de “instrumento de malandro” e subiu na escala social. Se João Gilberto já emprestara um ar moderno ao “pinho”, a revalorização deste tradicional instrumento se deu pelas mãos de um grande artista, Baden Powell, que faz em seis cordas a música de muitos instrumentos. Além de João Gilberto, famoso pelo talento e algumas excentricidades, há ainda outras “figurinhas carimbadas”, como por exemplo João Donato. Considerado um dos mais criativos músicos brasileiros de todos os tempos, Donato também coleciona uma obra avara, mas muito bem construída. Um exemplo é “A Rã”, que recebeu letra de Caetano Veloso muitos anos depois de composta e foi gravada por Gal Costa. Com tudo isso, há que se perguntar, se alguém ainda duvida da força da Bossa Nova. Bem, há sempre os saudosistas, que apostam todas suas fichas na força de uma tradição imutável e esterilizada. Mesmo entre os artistas de outras linhas da MPB, como os tropicalistas Caetano Veloso e Gilberto Gil, a Bossa Nova é uma unanimidade. Caetano sempre destacou a importância de João Gilberto e Tom Jobim e outros em sua vida artística. Gil, um artista de amplo espectro musical, compôs algumas músicas calcadas na Bossa Nova, e também presta reverência a este movimento artístico. Para não falar os roqueiros, como Lobão e Cazuza, que também escutaram os discos básicos da Bossa Nova, mesmo sendo adeptos das guitarras elétricas, do rock e do blues. As muitas homenagens prestadas em incontáveis festivais internacionais, as gravações de famosos instrumentistas, a reverência dos críticos diante do “Brazilian Beat” são provas mais que suficientes de que a Bossa Nova, Brasileira de alma e coração, tem um espírito universal que toca aos amantes da boa música de qualquer quadrante do planeta. É claro que a riqueza musical brasileira tem ainda tesouros imensos para serem explorados, mas a Bossa Nova brilha no lábaro estrelado para sempre, e será sempre uma referência fundamental para quem quiser saber quando e como foi que a nossa música rompeu as barreiras da língua e dos mercados estrangeiros, para ser aceita universalmente como uma das mais belas expressões do jeitinho brasileiro
de ser.

Tropicalismo

"A Tropicália foi o avesso da Bossa Nova". Assim o compositor e cantor Caetano Veloso define o movimento que, ao longo de 1968, revolucionou a música popular brasileira. Dessa corrente, liderada pelo baiano de Santo Amaro da Purificação, também participaram ativamente os compositores Gilberto Gil e Tom Zé, os letristas Torquato Neto e Capinam, o maestro e arranjador Rogério Duprat, o trio Mutantes e as cantoras Gal Costa e Nara Leão. Diferentemente da Bossa Nova, que introduziu uma forma original de compor e interpretar, a Tropicália não pretendia sintetizar um estilo musical, mas sim instaurar uma nova atitude: sua intervenção na cena cultural do país foi, antes de tudo, crítica. A intenção dos tropicalistas não era superar a Bossa Nova, da qual Veloso, Gil, Tom Zé e Gal foram discípulos assumidos, especialmente do canto suave e da inovadora batida de violão de João Gilberto, conterrâneo dos quatro. No início de 1967, esses artistas sentiam-se sufocados pelo elitismo e pelos preconceitos de cunho nacionalista que dominavam o ambiente da chamada MPB. Depois de várias discussões concluíram que, para arejar a cena musical do país, a saída seria aproximar de novo a música brasileira dos jovens, que se mostravam cada vez mais interessados no pop e no rock dos Beatles, ou mesmo no iê-iê-iê que Roberto Carlos e outros ídolos brazucas exibiam no programa de TV Jovem Guarda. Argumentando que a música brasileira precisava se tornar mais "universal", Gil e Caetano tentaram conquistar adesões de outros compositores de sua geração, como Dori Caymmi, Edu Lobo, Chico Buarque de Hollanda, Paulinho da Viola e Sérgio Ricardo. Porém, a reação desses colegas mostrou que, se aderissem mesmo à música pop, tentando romper a hegemonia das canções de protesto e da MPB politizada da época, os futuros tropicalistas teriam que seguir sozinhos. Com humor, irreverência, atitudes rebeldes e anarquistas os tropicalistas procuravam combater o nacionalismo ingênuo que dominava o cenário brasileiro, retomando o ideário e as propostas do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade. Consideradas como marcos oficiais do novo movimento, as canções Alegria, Alegria (de Caetano) e Domingo no Parque (de Gil) chegaram ao público já provocando muita polêmica, no III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, em outubro de 1967. As guitarras elétricas da banda argentina Beat Boys, que acompanhou Caetano, e a atitude roqueira dos Mutantes, que dividiram o palco com Gil, foram recebidas com vaias e insultos pela chamada linha dura do movimento estudantil. Para aqueles universitários, a guitarra elétrica e o rock eram símbolos do imperialismo norte-americano e, portanto, deviam ser rechaçados do universo da música popular brasileira. No entanto, não só o júri do festival mas grande do público aprovou a nova tendência. A canção de Gil saiu como vice-campeã do festival, que foi vencido por Ponteio (de Edu Lobo e Capinam). E, embora tenha terminado como quarta colocada, Alegria, Alegria tornou-se um sucesso instantâneo nas rádios do país, levando o compacto simples com a gravação de Caetano a ultrapassar a marca de 100 mil cópias vendidas – número alto para a época. Num debate organizado pelos estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo, em junho de 1968, Caetano, Gil, Torquato e os poetas concretos Augusto de Campos e Décio Pignatari, que manifestavam simpatia pelo movimento, foram hostilizados com vaias, bombinhas e bananas pela linha dura universitária. O confronto foi mais violento ainda durante o III Festival Internacional da Canção, no Teatro da Universidade Católica de São Paulo, em setembro. Ao defender com os Mutantes a canção É Proibido Proibir, que compôs a partir de um slogan do movimento estudantil francês, Caetano foi agredido com ovos e tomates pela platéia. O compositor reagiu com um discurso, que se transformou em um histórico happening: "Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder?". Outro cenário de confronto foi a boate carioca Sucata, onde Caetano, Gil e Mutantes fizeram uma conturbada temporadas de shows, em outubro. Uma bandeira com a inscrição "Seja marginal, seja herói" (obra de Hélio Oiticica), exibida no cenário, e o boato de que Caetano teria cantado o Hino Nacional enxertando versos ofensivos às Forças Armadas serviram de pretexto para que o show fosse suspenso. Ainda em outubro, finalmente, os tropicalistas conseguiram um programa semanal na TV Tupi. Com roteiro de Caetano e Gil, Divino, Maravilhoso contava com todos os membros do grupo, além de convidados como Jorge Ben, Paulinho da Viola e Jards Macalé. Os programas eram concebidos como happenings, repletos de cenas provocativas. As principais músicas do movimento foram "Alegria, Alegria" – Caetano Veloso,"Domingo no Parque" – Gilberto Gil,"Tropicália" – Caetano Veloso, "Superbacana" – Caetano Veloso,"Soy Loco Por Ti América" (Gilberto Gil/ Capinam) – Caetano Veloso,"Marginália 2" (Gilberto Gil/ Torquato Neto) – Gilberto Gil,"Panis et Circensis" (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Mutantes,"Miserere Nobis" (Gilberto Gil/ Capinam) – Gilberto Gil e Mutantes,"Lindonéia" (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Nara Leão,"Parque Industrial" (Tom Zé) – Tom Zé ,"Geléia Geral" (Gilberto Gil/ Torquato Neto) – Gilberto Gil ,"Baby" (Caetano Veloso) – Gal Costa e Caetano Veloso ,"Enquanto Seu Lobo Não Vem" (Caetano Veloso) – Caetano Veloso ,"Mamãe, Coragem" (Caetano Veloso/ Torquato Neto) – Gal Costa ,"Bat Macumba" (Gilberto Gil/ Caetano Veloso) – Gilberto Gil e Mutantes ,"Saudosismo" – Caetano Veloso,"É Proibido Proibir" (Caetano Veloso) – Caetano Veloso ,"Não Identificado" (Caetano Veloso) – Gal Costa,"Divino, Maravilhoso" (Gilberto Gil e Caetano Veloso) – Gal Costa Nessa época, com o endurecimento do regime militar no país, as interferências do Departamento de Censura Federal já haviam se tornado costumeiras; canções tinham versos cortados, ou eram mesmo vetadas integralmente. A decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968, oficializou de vez a repressão política a ativistas e intelectuais. As detenções de Caetano e Gil, em 27 de dezembro, precipitaram o enterro da Tropicália, embora sua morte simbólica já tivesse sido anunciada, nos eventos do grupo. A partir daí, a linguagem artística ou se cala ou se metaforiza ou apela para meios não convencionais de divulgação. Apesar de ter se revelado tão explosiva quanto breve, com pouco mais de um ano de vida oficial, a Tropicália seguiu influenciando grande parte da música popular produzida no país pelas gerações seguintes. Até mesmo em trabalhos posteriores de medalhões da MPB mais tradicional, como Chico Buarque e Elis Regina, pode-se encontrar efeitos do "som universal" tropicalista.


Jovem Guarda




Jovem Guarda foi um movimento surgido na segunda metade da década de 60, que mesclava música, comportamento e moda. Surgiu com um programa televisivo brasileiro exibido pela Rede Record, a partir de 1965. Ao contrário de muitos movimentos que surgiram na mesma época, a Jovem Guarda nao possuía cunho político e teve seu nome retirado de um discurso de Marx, onde dizia "O futuro está nas mãos da Jovem Guarda". Os integrantes do movimento foram influenciados pelo Rock and Roll da década de 50 e 60 e pela precursora do rock no país, Celly Campello. Com isso, faziam uma variação nacional do rock, batizada no país de "Iê-Iê-Iê"(expressão surgida em 1964, quando os Beatles lançaram o filme "A Hard Day's Night", batizado no Brasil de "Os Reis do Iê-Iê-Iê"), com letras românticas e descontraídas, voltada para o público jovem. A maioria de seus participantes teve como inspiração o rock da década de 60, comandado por bandas como Beatles e Rolling Stones. Foi comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa que apresentavam ao público os principais artistas ligados ao movimento. O programa tornou-se popular e impulsionou o lançamento de roupas e acessórios. O movimento foi impulsionado pelo público jovem, porém agradou pessoas de todas as idades. Surgiram vários outros programas no mesmo estilo, assim como vários artistas(hoje esquecidos, em sua grande maioria, pela mídia) obscuros, que incluíam a Psicodelia, a Soul Music e o Rock'N'Roll no Iê-Iê-Iê. Muitos consideram o fim do movimento juntamente com o fim do programa, em 1968, mas podemos dizer que se estendeu até meados de 1970. Entre os artistas do movimento destacaram-se Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa,Vanusa, Eduardo Araújo, Silvinha, Martinha, Ronnie Cord, Ronnie Von, Paulo Sérgio, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Rosemary, Leno e Lilian, Demétrius, Os Vips, Waldirene, Bobby di Carlo, Sérgio Murilo, Sérgio Reis, Trio Esperança, Ed Wilson, Lafayette e as bandas, Os Incríveis, Renato e Seus Blue Caps, Golden Boys e The Fevers. Entre os principais sucessos estão "Quero Que Vá Tudo Pro Inferno", "Festa de Arromba", "Pare o Casamento", "Garota Papo-Firme", "Biquíni de Bolinha Amarelinha", "Meu Bem", "Eu Daria a Minha Vida", "O Bom", "Rua Augusta", "Namoradinha de um Amigo Meu", "Ternura", "O Caderninho", "Tijolinho", "Feche os Olhos", "A Festa do Bolinha", "O Bom Rapaz" e "Menina Linda".






Vale lembrar que além dos três principais movimentos anteriores,o rock chegou ao país em 1955, quando Nora Ney gravou a versão de Rock Around the Clock. A primeira estrela nacional do gênero foi Celly Campelo, que lançou no início dos anos 60, "Banho de Lua" e "Estúpido Cupido". Na mesma época, o rock populariza-se com outros sucessos internacionais como The Beatles, Rolling Stones e Bob Dylan.

Cinema

As produções cinematográficas das décadas de 50 e 60 são bem distintas entre si. Na década de 50 vivencia-se basicamente dois pólos:o apogeu da chanchada e o surgimento de duas tendências estéticoideológicas,a realista (de apego ao neo-realismo italiano, de preocupação social) e a intimista (de cunhopsicológico, ligada ao cinema de Bergman).Na década de 60, tem-se, sobretudo, o Cinema Novo, que persegue a tradição neo-realista italiana, com seu retrato desnudo do Segundo Pós-Guerra, abraçando também a Nouvelle Vague francesa e o conceito de cinema autoral. Aliada a isso, os cineastas do Cinema Novo descobrem o trabalho do cinema pioneiro de Humberto Mauro e o cinema do documentarista de Linduarte Noronha. O cinema “de autor” se opõe ao chamado cinema de estúdio, como a Vera Cruz, que, nas décadas de 40 e 50 dominava o mercado brasileiro. A chanchada, antes predominante, praticamente desaparece no início dadécada. O quadro político-sócio-econômico nestes dois períodos justifica essa distinção. Depois da queda de Getulio Vargas, em 1945, o Brasil vivia seu primeiro período democrático desde 1930. Em 1955, Juscelino Kubitschek, prometia, em sua campanha eleitoral, concluir o projeto de transferência da capital federal antes do final do seu mandato. A economia do país progredia e, nos finais da década de 50, o otimismo em relação ao futuro do país era grande. O cinema brasileiro supera tanto qualitativa como quantitativamente a produção em décadas anteriores, saltando de 90 filmes na década de 40, para aproximadamente 300 filmes na década de 50. Na década de 60, entre filmes de ficção e documentários, a produção brasileira totaliza cerca de 400 películas.