quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Jovem Guarda




Jovem Guarda foi um movimento surgido na segunda metade da década de 60, que mesclava música, comportamento e moda. Surgiu com um programa televisivo brasileiro exibido pela Rede Record, a partir de 1965. Ao contrário de muitos movimentos que surgiram na mesma época, a Jovem Guarda nao possuía cunho político e teve seu nome retirado de um discurso de Marx, onde dizia "O futuro está nas mãos da Jovem Guarda". Os integrantes do movimento foram influenciados pelo Rock and Roll da década de 50 e 60 e pela precursora do rock no país, Celly Campello. Com isso, faziam uma variação nacional do rock, batizada no país de "Iê-Iê-Iê"(expressão surgida em 1964, quando os Beatles lançaram o filme "A Hard Day's Night", batizado no Brasil de "Os Reis do Iê-Iê-Iê"), com letras românticas e descontraídas, voltada para o público jovem. A maioria de seus participantes teve como inspiração o rock da década de 60, comandado por bandas como Beatles e Rolling Stones. Foi comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa que apresentavam ao público os principais artistas ligados ao movimento. O programa tornou-se popular e impulsionou o lançamento de roupas e acessórios. O movimento foi impulsionado pelo público jovem, porém agradou pessoas de todas as idades. Surgiram vários outros programas no mesmo estilo, assim como vários artistas(hoje esquecidos, em sua grande maioria, pela mídia) obscuros, que incluíam a Psicodelia, a Soul Music e o Rock'N'Roll no Iê-Iê-Iê. Muitos consideram o fim do movimento juntamente com o fim do programa, em 1968, mas podemos dizer que se estendeu até meados de 1970. Entre os artistas do movimento destacaram-se Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa,Vanusa, Eduardo Araújo, Silvinha, Martinha, Ronnie Cord, Ronnie Von, Paulo Sérgio, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Rosemary, Leno e Lilian, Demétrius, Os Vips, Waldirene, Bobby di Carlo, Sérgio Murilo, Sérgio Reis, Trio Esperança, Ed Wilson, Lafayette e as bandas, Os Incríveis, Renato e Seus Blue Caps, Golden Boys e The Fevers. Entre os principais sucessos estão "Quero Que Vá Tudo Pro Inferno", "Festa de Arromba", "Pare o Casamento", "Garota Papo-Firme", "Biquíni de Bolinha Amarelinha", "Meu Bem", "Eu Daria a Minha Vida", "O Bom", "Rua Augusta", "Namoradinha de um Amigo Meu", "Ternura", "O Caderninho", "Tijolinho", "Feche os Olhos", "A Festa do Bolinha", "O Bom Rapaz" e "Menina Linda".






Vale lembrar que além dos três principais movimentos anteriores,o rock chegou ao país em 1955, quando Nora Ney gravou a versão de Rock Around the Clock. A primeira estrela nacional do gênero foi Celly Campelo, que lançou no início dos anos 60, "Banho de Lua" e "Estúpido Cupido". Na mesma época, o rock populariza-se com outros sucessos internacionais como The Beatles, Rolling Stones e Bob Dylan.

Cinema

As produções cinematográficas das décadas de 50 e 60 são bem distintas entre si. Na década de 50 vivencia-se basicamente dois pólos:o apogeu da chanchada e o surgimento de duas tendências estéticoideológicas,a realista (de apego ao neo-realismo italiano, de preocupação social) e a intimista (de cunhopsicológico, ligada ao cinema de Bergman).Na década de 60, tem-se, sobretudo, o Cinema Novo, que persegue a tradição neo-realista italiana, com seu retrato desnudo do Segundo Pós-Guerra, abraçando também a Nouvelle Vague francesa e o conceito de cinema autoral. Aliada a isso, os cineastas do Cinema Novo descobrem o trabalho do cinema pioneiro de Humberto Mauro e o cinema do documentarista de Linduarte Noronha. O cinema “de autor” se opõe ao chamado cinema de estúdio, como a Vera Cruz, que, nas décadas de 40 e 50 dominava o mercado brasileiro. A chanchada, antes predominante, praticamente desaparece no início dadécada. O quadro político-sócio-econômico nestes dois períodos justifica essa distinção. Depois da queda de Getulio Vargas, em 1945, o Brasil vivia seu primeiro período democrático desde 1930. Em 1955, Juscelino Kubitschek, prometia, em sua campanha eleitoral, concluir o projeto de transferência da capital federal antes do final do seu mandato. A economia do país progredia e, nos finais da década de 50, o otimismo em relação ao futuro do país era grande. O cinema brasileiro supera tanto qualitativa como quantitativamente a produção em décadas anteriores, saltando de 90 filmes na década de 40, para aproximadamente 300 filmes na década de 50. Na década de 60, entre filmes de ficção e documentários, a produção brasileira totaliza cerca de 400 películas.

Teatro


Assim como ocorria com o cinema, a renovação estética no teatro ligava-se não só à temática, mas também à forma de encenação. Com um despojamento semelhante ao do cinema, o novo espetáculo teatral se fazia sem cenários, num palco no centro da platéia, impondo maior entrosamento entre atores e público. A interpretação e a temática eram igualmente mais realistas. A introdução desse tipo de experiência no Brasil coube ao Teatro de Arena de São Paulo, que foi criado em 1953 já com uma disposição cênica distinta da que se usava até então. A arena, com os atores no centro da sala e o público em redor, implicava não só uma redução do espaço físico teatral, mas também o menor custo dos cenários. Já em meados da década de 50, juntamente com o Teatro Paulista do Estudante, o Teatro de Arena passou a privilegiar a abordagem dos problemas sociais e políticos, num esforço de conscientização e de criação de um teatro popular, abolindo definitivamente a interpretação pomposa em prol da representação mais realista. Trazer para a cena a realidade brasileira, encenando textos da dramaturgia nacional, contrapunha-se ao que fazia o Teatro Brasileiro de Comédia, que produzia espetáculos caros com uma dramaturgia que não expressava os problemas nacionais, dirigida às classes média e alta da sociedade. Romper com esta temática e a forma convencional de representação teatral foi também um dos objetivos do Grupo Oficina (que distinguiu-se por ter absorvido, na década de 60, toda a experiência cênica internacional e foi nele que se lançou na cultura brasileira o que ficou conhecido como Tropicalismo) formado em 1958 por universitários da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Apesar das propostas distintas que orientavam os dois grupos, tanto o Teatro de Arena quanto o Oficina, liderados respectivamente por Augusto Boal e José Celso Martinez Corrêa, desenvolveram suas experiências em sintonia com o teatro de vanguarda norte-americano e europeu e com a dramaturgia do alemão Bertold Brecht. Ainda nesta mesma época, novos autores surgiriam na dramaturgia brasileira, voltados para uma temática nacional, como foi o caso de Oduvaldo Viana Filho (Vianinha) e Gianfrancesco Guarnieri. O desenvolvimento das questões colocadas por esses grupos e esses dramaturgos teve importantes e variados desdobramentos para o teatro brasileiro nas décadas seguintes, tanto no que dizia respeito à conscientização popular e ao esforço de atingir um público amplo, quanto à possibilidade de aprofundamento das questões de caráter estético. A partir do final dos anos 50, a orientação do TBC, de dar prioridade a textos estrangeiros e importar encenadores europeus, é acusada de ser culturalmente colonizada por uma nova geração de atores e diretores que prefere textos nacionais e montagens simples. Cresce a preocupação social, e diversos grupos encaram o teatro como ferramenta política capaz de contribuir para mudanças na realidade brasileira. O Teatro de Arena, que com seu palco circular aumenta a intimidade entre a platéia e os atores, encena novos dramaturgos - Augusto Boal ''Marido magro, mulher chata'', Gianfrancesco Guarnieri ''Eles não usam black-tie'', Oduvaldo Vianna Filho ''Chapetuba Futebol Clube'' - e faz musicais como ''Arena conta Zumbi'', que projeta Paulo José e Dina Sfat. Trabalho semelhante é o de José Celso Martinez Correa no Grupo Oficina, também de São Paulo: além de montar ''Os pequenos burgueses'', de Gorki, ''Galileu, Galilei'', de Brecht, e ''Andorra'', de Max Frisch, redescobre ''O rei da vela'', escrito em 1934 por Oswald de Andrade, mas proibido pelo Estado Novo, e cria ''Roda viva'', do músico Chico Buarque de Holanda. Chico havia feito a trilha sonora para ''Vida e morte severina'', auto nordestino de Natal, de João Cabral de Melo Neto, montado pelo Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca) e premiado no Festival Internacional de Teatro de Nancy, na França.Os passos do Arena, de conotações nitidamente políticas, são seguidos pelo Grupo Opinião, do Rio de Janeiro. Seu maior sucesso é ''Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come'', de Oduvaldo Vianna Filho. No final da década de 60, novo impulso à dramaturgia realista é dado por Plínio Marcos em ''Dois perdidos numa noite suja'' e ''Navalha na carne''. Outros autores importantes são Bráulio Pedroso ''O fardão'' e Lauro César Muniz ''O santo milagroso''. Na década de 70 a censura imposta pelo governo militar chega ao auge. Os autores são obrigados a encontrar uma linguagem que drible os censores e seja acessível ao espectador.

Televisão

Em setembro de 1950 foi inaugurada a primeira emissora de TV, a TV Tupi, em São Paulo, a partir daí o país tornava-se o primeiro do continente e o quarto do planeta a possuir o meio de comunicação que em pouco tempo transformaria toda a vida de uma sociedade. Em seguida à Tupi surgiram a TV Paulista, a TV Record, a TV Cultura e, já ao final da década, a TV Excelsior, em São Paulo. Em 1951 era inaugurada a TV Tupi, no Rio, e anos mais tarde as TVs Rio e Continental. No início, é claro, a televisão ainda perdia para o cinema e para o rádio, diversões preferidas da maior parte da população, pois ela ainda engatinhava em suas gestões, tanto artística quanto administrativa. Com as limitações tecnológicas do período, a transmissão era feita sempre ao vivo, com o auxílio apenas de filmes, e o raio de difusão era limitado ao âmbito regional. Mesmo assim, quando Juscelino Kubitschek assumiu o governo em 1956, algumas das primeiras mudanças trazidas pelo novo veículo já se faziam notar. Com o processo de industrialização do país, acelerado pelo novo governo, a televisão e o automóvel passariam a ser sinônimos de modernidade e progresso. Naquele mesmo ano de 1956, televisão se expandia para além dos grandes centros, já que até então as transmissões alcançavam um raio de apenas 100 quilômetros. A primeira emissora a transmitir em rede foi a Record, de São Paulo. Ao mesmo tempo, iniciou-se a ascensão da TV ao topo do mercado publicitário brasileiro. Os potenciais da propaganda veiculados por este veículo foram rapidamente percebidos, e seu uso por políticos em campanha se tornou freqüente, o que acabou se refletindo, mais tarde, nas políticas de concessão dos canais e de regulação da nova ferramenta de debate. Existiam cerca de 200 mil aparelhos de televisão no Brasil quando uma séria crise militar irrompeu no governo JK, em novembro de 1956, pelas declarações antigovernistas do general Juarez Távora que foram transmitidas pela TV Tupi, em desobediência a recomendações do então ministro da Guerra, o general Henrique Lott. Távora foi punido por seu pronunciamento. Em 1957, novas críticas à política do presidente Juscelino Kubitschek provocaram a censura ao programa Noite de Gala, da TV Rio. Em 1960, foi a vez de as eleições movimentarem politicamente a televisão. Carlos Lacerda utilizou intensamente a programação da TV Rio em favor da candidatura de Jânio Quadros à presidência da República, apoiada pela UDN. Ao final da década deu-se a introdução de uma das maiores inovações tecnológicas da história do veículo. Em 1960, no programa Chico Anísio Show, da TV Rio, foram utilizados, pela primeira vez, os recursos do videoteipe na televisão brasileira. Outras emissoras logo se beneficiaram da novidade, descobrindo novos usos e aplicações. Os tempos da improvisação e das gafes folclóricas de garotas-propaganda começavam a ser superados. O videotape permitiu a inauguração no país de mais 27 novas emissoras,com 80% de programação exibindo em VT as produções realizadas no eixo Rio-São Paulo. A maturidade do novo veículo já indicava que grandes transformações viriam logo adiante. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo puderam assistir, em abril do mesmo ano, à inauguração de Brasília, graças ao envio de gravações em videoteipe do evento. No fim da década - e do governo de Juscelino Kubitschek - o país tinha praticamente triplicado, em relação a 1956, o número de residências com de aparelhos de TV. Num curto espaço de tempo, passou-se de cerca de 34 mil residências com televisores, em 1954, a 598 mil em 1960. O aumento do público telespectador obrigou a televisão a popularizar sua programação. Os festivais de música promovidos pelas redes televisivas levaram para o vídeo estrelas da música brasileira. Entre 1964 e 1975, a televisão tornou-se um veículo profissional e implantou um esquema empresarial estruturado.

Conclusão

Desde o começo do trabalho onde há a abordagem do contexto histórico, político e social da época (no caso de 1955 a 1968) nós podemos ter uma prévia do que a situação do país e até do mundo influenciaria na arte do período. É uma questão lógica e determinista, ou seja, a literatura, as artes plásticas ou qualquer outra produção artística serão determinadas pelo meio a que se referem e pelas condições (sejam elas em qualquer âmbito) do mesmo, podendo dele serem utilizados elementos como uma contribuição para a criação ou então funcionar como instrumento de crítica e apelo por mudanças,assim pode ser criado um ciclo, a partir da ação através da arte,direta ou indiretamente todo o contexto,a sociedade e as condições terão uma reação,seja ela positiva ou não. De qualquer forma a recíproca será verdadeira, o contexto determina a arte e a arte determina o contexto. Para justificar a metáfora feita anteriormente podemos utilizar os fatos históricos presentes no trabalho como por exemplo o fato de que a época retratada mesclava a aparição e a busca por novas técnicas e tecnologias às turbulências sociais e políticas, assim a arte do momento de um modo geral conservava alguns traços tradicionais fundamentais e necessários em sua visão unindo-os à novas perspectivas,voltada para o país, retratando o momento de diversas maneiras, sendo produto de uma sociedade de vastos horizontes, sempre em mutação. A sociedade era tomada por um sentimento de liberdade e assim, sua arte continha traços livres não sendo de fácil compreensão porém com significados importantes para aqueles que conseguissem desvendar sua complexidade. Há uma intensa valorização da cultura e da arte popular como substrato para a criação de uma arte enrraizada e substancialmente brasileira,apesar da situação de ebulição sócio cultural vivida pelo país e até como consequência disso, urgiam ações que buscavam a identidade nacional. Além disso, com a ditadura militar e junto à ela a censura da imprensa e das produções artísticas de um modo geral, só era exposto ao grande público aquilo que era conveniente ao regime,sendo os fatos distorcidos,omitidos ou recriados assim, a liberdade tanto almejada pelos artistas da época se tornava relativa e/ou inexistente. A sociedade e sua democracia passam a sofrer as consequências de um governo arbitrário,autoritário e repressivo que combatem duramente a liberdade de expressão. As opiniões ofensivas ou desafiadoras da autoridade política tinham que usar disfarces ou recuar,aqueles que quisessem expressar seus pensamentos deveriam fazê-lo de modo que o regime não declarasse ofensivo. Esse período de Ditadura Militar representou um vasto período de atraso no desenvolvimento da estrutura social do país.